Bilan 1o. Ano

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Olá pessoal!!

Tudo certo por ai?! E na China?

Eu não estou conseguindo acompanhar direito a Olimpíada... e as medalhas brasileiras, vieram?!

Bom, por aqui... FÉRIAS!

Isso mesmo, o estagio acabou! E é isso mesmo que gostaria de comentar hoje...

Como o tempo está doido! Parece que foi ontem que eu estava estudando pra ultima semana de provas da Ecole, não! Parece que foi ontem que eu voltei do Brasil depois da minha visita-rapida-inesquecivel-de-quatro-dias! Lembro-me das despedidas no aeroporto ou mesmo dos medos e ansiedades alimentadas para conseguir ser selecionado no Diploma Duplo da Poli... Lembro-me dos estudos na “Republica Labareda” entre o miojos com sardinha (minha especialidade na época) e os estudos seguidos de poker com cerveja na madrugada...

É impressionante como o tempo está passando tão devagar para confortar a saudade de todas as pessoas, lugares, imagens e momentos que deixei no Brasil, ou mesmo deixei de viver... mas também é um pouco assustador como o tempo está voando nesta experiência bizarra de viver e estudar na Europa...

Sim, esta é uma reflexão de um ano de viagem. Já faz mais de um ano que estou na França, um ano que a minha realidade mudou completamente... Há um ano comprovo que é possível manter um relacionamento verdadeiro à distância: Parabéns Flá pelos nossos 7 anos de namoro! Pra quem não sabia... não errei na conta não. Te amo linda!

Ontem mesmo tive aquele pensamento do começo da viagem e que espero manter comigo... foi aquele “Nossa Senhora... olhe onde eu estou!”. Isso aconteceu numa praça de Caen em formato de triangulo, cercada de prédio de alguns séculos e lotadas de franceses descendentes de vikings curtindo uma apresentação de uma espécie de teatro-circo numa quinta-feira a tarde. Esta tranqüilidade de viver a vida ainda me assusta... e é exatamente nestes momentos que me sinto realizando o sonho que plantei há 3 anos... 3 anos...

É, o estagio acabou e já estou de férias!! Alias, adorei o meu estagio. Ganhei de presente uma ótima oportunidade de aprender e testar vários conhecimentos: 5% técnicos e 95% de vida. Explico: Eu tive a oportunidade de trabalhar como responsável de uma linha de montagem, responsável pelos últimos processos de fabricação de um produto, vulgo embalagem. Eu tinha a missão de aprender como tudo funcionava, entender o maximo possível dos processos para, no caso de um problema, ajudar a resolvê-lo, chamar alguém melhor formado e/ou informar aos verdadeiros responsáveis tudo o que estava acontecendo com alguns dados úteis, de preferência.

Nesta descrição politicamente correta do meu trabalho pode ter ficado claro que o mais importante não era saber tudo tecnicamente, mas sim... saber trabalhar, adaptar, conversar. Foi exatamente ai que fiquei feliz por vários momentos neste estagio: Consegui ver, entre todos os erros e besteiras que fiz (e não foram poucas!), que nos momentos que eu mais aceitei na tomada de decisão ou no jeito de conversar eu não usei quase nada do que aprendi na faculdade, mas tudo o que consegui observar, aprender e repetir trabalhando e dividindo experiências com os meus pais e irmãos.

Ri sozinho quando percebi que estava fazendo relatórios e previsões, vulgo organizando coisas como a minha mãe sempre fez na “Chicaroni”, fiquei feliz todas as vezes que me vi tentando criticar, buscar uma solução ou mesmo construir uma opinião mais embasada como sempre vi meus irmão fazerem cada um da sua forma. Agora, ri mesmo quando me vi realizando exatamente o que mais achava engraçado ou o que mais criticava no meu pai... usar o bom humor no trabalho com pessoas. Foi muito engraçado arrancar risadas e gargalhadas do meu tutor-chefe francês quando comecei a chamá-lo de “chef”, aceitei uma ordem batendo continência ou mesmo... de fazer o sinal da cruz depois que ele afirmou que atingiríamos o objetivo de produção.

Neste instante de tantas saudades, é muito bom ver que apesar da distância as lembranças, lições, memórias e sentimentos brasileiros ainda estão vivos aqui dentro e, ainda melhor, são fontes de força para que eu siga e tente fazer o melhor possível.

Ai ai... é bom filosofar de vez em quando, mas voltando a realidade ainda faltam-me muitas coisas a fazer: viver mais um ano neste mundo diferente, mais um ano de distância para administrar, 9 meses de estudo, 3 de estagio, um carro elétrico para ajudar a construir, muitas provas, novos amigos a fazer, novas atividades do club-latino, novas viagens a se aventurar... já tenho alguns destinos planejados, mas vou fazer surpresa...

Mas, por enquanto, férias! E nada melhor para recarregar as forças para segunda metade desta doidera do que primeira responsável de tudo isso: Mama!! Vou viajar com a minha “veia” por aqui e muitos momentos emocionantes e hilários estão prometidos!

Até a próxima! Com fotos da Dona Jane na Europa!

Deixo aqui um parágrafo do livro que estou lendo (Citizen Soldiers) e traduzido com meu ingreis.


Throughout First Army, young men made many discoveries in the first few days of combats, about war, about themselves, about others. They quickly learned such basics as keep down or die - ... – and many more things they had been told in training but that can only be truly learned by doing.


Através da “First Army”, jovens soldados fizeram muitas descobertas nos primeiros dias de batalha, sobre a guerra, sobre eles mesmos e os outros. Eles aprenderam rapidamente alguns conceitos básicos, como manter-se abaixado ou morrer – ... – e muitos outros que foram ditos durante o treinamento, mas só podem ser realmente aprendidos fazendo.


Abraços,

Thiago Chicaroni